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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pré-verão e seus efeitos colaterais


Interessante o efeito de demandas. As circunstâncias mudam e os produtos se alternam entre os mais requisitados. Em outrora o que mais se procurava era o quentão e seus coadjuvantes: itens para esquentar. Todavia, na época em que os dias ficam mais ensolarados, a venda maior segue para os itens refrescantes: sorvetes, caldo de cana, água-de-coco e afins.
Ao se aproximar o fim de ano com a tendência dos dias mais longos, sem exatamente ser verão, tendo entretanto características de tal estação, os ânimos mudam. Costumo chamar esta época de “pré-verão”. Os alunos ficam mais letárgicos para as obrigações escolares e acadêmicas. Contudo, possuem ainda energia de sobra para baladas, sacanagens e afins.
O mais interessante é que não apenas os mais novos adotam tal comportamento, pessoas de idade avançada também demonstram pendor para tais características. Dos surpreendentes são as senhoras aproveitando o verão para se atualizarem com os 50 tons – “Nora Roberts é coisa do século passado”, ouvi outro dia de uma dama quase em situação de hora-extra - Entre os barbados de pouco cabelo e abdômen de chopp, o espírito moleque parece tomar conta: os feromônios circulam mais intensamente, trazendo as marotices de torcer para que o vento levante uma saia ou outra. Época interessante. Inebriante.
Atento aos fenômenos sazonais inerentes ao ser humano e vinculados às épocas do ano, observo as peripécias. A última foi de uma senhora, dessas de coração inflamado de amor para adotar vários netos. Amor compatível com o deslumbre de seus oitenta e tantos anos. Não que sua aparência delate quantos verões (ou pré-verões) já foram apreciados, visto seus cabelos sedosos em cor viva - como quem foi beijada pelo fogo - mas sua disposição e dores articulares não nos permitem uma alcunha de pessoa jovem. Ainda sim, prevalece um espírito de rapariga, com direito a roupa de couro e passeio com sua gata preta à coleira. Os mais íntimos amigos de longa data a chamam de “ardida como pimenta”.
Eis que indignada, ela solicita à secretária de seu psicólogo que a atenda o mais imediatamente possível, enquanto larga suas sacolas de compras semanais.
    • É necessário aguardar seu horário – educada e amavelmente a secretária.
    • Mas donde já seu viu?
    • Minha senhora, faltam dez minutos, por favor aguarde.
    • Não sei se vou aguentar tamanho desaforo!
    • Ainda não está em seu horário...
    • Não que eu me importe com o horário, mas com o que passei hoje. Desaforo é o que o prefeito faz conosco. Neste calor, não pude me refrescar. Não tenho direito nem a um breve refresco! Donde já seu viu?
    • Não se estresse com isso – a secretária já servindo gentilmente um copo d'água.
    • Me diga: donde o prefeito tirou a ideia de não vender cerveja no Armazém da Família? Que antiquado!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Volta e meia, pessoas de outro setor aparecem em minha repartição. Tentam sempre vencer o ritmo implacável e hipnótico do ventilador. Chegam, puxam assunto meio a esmo e não se demoram muito a pedir uma bala, um doce qualquer. Os mais confiados são ágeis em abrir a gaveta e pescar uma guloseima.
Entre doces e travessuras, sou mais a segunda opção. Resolvi mudar a localização dos bens, só pra ver a frustração geral. Deu certo de início, mas toda piada tem prazo de validade. Resolvi mudar o número. Simples: No lugar do doce, deixava apenas uma embalagem vazia, como se houvesse um recheio interessante, entre outros verdadeiramente recheados. Princípio do ponto de fuga. Um elemento diferente do padrão tende a ser o mais notável.
Um a um desmanchavam o sorriso ao se deparar com a ausência dos comestíveis. Diverti-me. Entretanto, o deleite veio mesmo com Bigode, veterano na Organização. Sem ressalvas abriu a gaveta. Visualizou o Dadinho. Mecanicamente e num gesto furtivo, pegou-o.
- Mas que coisa é esta? Vocês não têm dó? Barbaridade! Comprem um coração pra vocês! Apenas fiquei com as bichas atacadas. Agora quero um dadinho…
Amassou a embalagem. Jogou-a num ato de revolta. Retirou-se desolado.

domingo, 26 de abril de 2015

Técnicas de sobrevivência na selva

Estava eu deleitando-me nos prazeres do sono, sobre a magnfica Maxflex ( que Deus a tenha) quando repentinamente ouço o despertador tocar "fooooonn", entaão levantei depressa desliguei o meu rádio 2000w/rms (que por sinal estava na sua potência máxima) o qual tem me auxiliado a chegar no horário correto do início das atividades diárias. Vesti a roupa que vi pela frente, e fui pra aula, como de costume sem lavar o rosto, escovar os dentes nem pentear o cabelo. Peguei a mochila, verifiquei a lancheira, e pus-me a caminhar. Acabei por perder o ônibus, e tinha como única alternativa outro ponto do transporte coletivo a uns 2 km. A caminhada era perigosa, tinha como passagem obtigatória um certo "matagal". Quando estava no meio do trajeto, ouço um barulho, algo parecido com um trovão " brooomm". Infelizmente não era chuva, era minha barriga, e como estava mais próximo ao matagal se comparado a minha casa, não tive dúvidas: adentrei naquele mato. Procurei um espaço limpo e realizei ali mesmo o danoso trabalho. Péssima ideia... Na preocupação com a dita lancheira esqueci meus cadernos.

Moral da história: melhor andar sem meias a andar com a cueca suja.

Liberdade X Frio

Hoje pela manhã, como de hábito, ao levantar fui tomar banho. Pela noite já havia deixado previamente separados os itens a serem utilizados para reiniciar a rotina. Meias, calça, camisa, calçado... Enfim, sempre tento preparar tudo para agilizar o ritual matutino.
Liguei o chuveiro e iniciei o dia. Deleite com água morna.
Ao desligar, naturalmente procurei a toalha. Não encontrando, pensei em duas hipóteses :
1. Sair sem roupa em busca de uma toalha, molhando toda a casa e passando muito frio (afinal o inverno já se anuncia).
2. Usar artimanhas de sobrevivência e não passar frio, evitando sair nu pela residência.
Escolhi a segunda.
Como o único pedaço de pano utilizável para tal fim parecia ser meu pijama, não tive dúvidas. Sequei-me triunfante com aquilo.
Orgulhoso do fato, coloquei-me a seguir o procedimento de arrumação. Entretanto, não encontrei minha cueca. Sentiria-me tão sexy com minha box... mas ela não estava lá, esqueci além da toalha.
Desta vez não haveria alternativa.
Abri a porta e segui em busca de minha roupa de baixo.
Até que a sensação de sair peladão pela casa foi boa. O problema mesmo foi frio.

terça-feira, 7 de abril de 2015

No egito

as bibliotecas eram chamadas tesouro dos remédios da alma. Defato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.
(Jacques-Bénigne Bossuet)

sexta-feira, 3 de abril de 2015